Quinta-feira, 31 de Março de 2011

 

Admito que possa ser um erro de concepção, mas quando penso em morte penso sempre em saldo negativo. Quando se ouve nos media que este ano houve menos mortes na estrada, ou noutra qualquer estatística o meu subconsciente diz-me que há ali um paradoxo. Se já morreram x o ano passado e juntarmos os y deste ano há sempre mais mortes. A comparação quer na vida quer na morte é inevitável para a estatística, mas na morte dá-se uma excepção preconceituosa no meu subconsciente que me incapacita de ver estas coisas de um modo meramente científico.

 

Há pouco oiço na TSF que o número de abortos legais desceu em 412 relativamente ao ano anterior. Aquilo que a minha consciência ouviu foi que houve mais 19.436 abortos. Uma espécie de tabela da multiplicação onde + com - dá menos. Admito também que possa ser uma limitação moral, mas no que toca à morte não consigo decifrar o que é morrer menos. A morte incapacita-me de ver as coisas do modo generalista. Leva-me sempre para um conceito individual, assim como se a vida para cada um de nós ainda fosse o bem mais precioso.

 

Pode parecer estranha esta minha limitação, mas não me lembro que o conceito "menos mortes" tenha trazido um sorriso ao rosto de alguém. Isso só o conceito "mais vida" pode fazer.



publicado por Marco Moreira às 08:37
 
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