Segunda-feira, 28 de Março de 2011

 

Apesar de terem sido descredibilizadas, a propósito da recente incapacidade de prever acontecimentos relacionados com a crise financeira, as agências de rating continuam a ser a principal referência no sector da dívida. As constantes reduções na qualidade de crédito tendem a encaminhar o país cada vez mais para o colapso da banca e da república. 

 

A banca volta agora às notícias atingindo o limiar do que é considerado "investment grade" que condiciona à partida um próximo passo em direcção à zona do BB (duplo B), a tal região "junk" que implica consequências funestas para o investimento. Isto porque o há um universo de investidores que deixa de poder investir neste tipo de dívidas face ao fraco nível de confiança na nossa banca. Resultado: o spread dispara e a cedência de créditos será ainda mais cara e de mais difícil acesso, o que comportará (ainda) mais dificuldades para as já muito castigadas famílias portuguesas, resultando ainda em abrandamento da nossa já lenta economia.

 

Mas a questão mais bicuda aproxima-se já em Abril, num momento em que o país irá mostrar a sua capacidade para se financiar nos mercados. De acordo com a Goldman Sacks, Portugal precisa de qualquer coisa perto dos 5.700 milhões de Euros que serão necessários para amortizar obrigações do tesouro que vencem por essa altura. A acrescer ainda 1.200 Milhões para financiamento do défice primário e pagamento de juros. A estes valores juntam-se outros, como o do défice que muito provavelmente terá aumentado para lá dos 7% avançados pelo governo.

 

Ainda este Sábado Daniel Bessa escrevia no Expresso:

«falência é uma palavra muito pesada. Mas eu não tenho medo das palavras; e devo usá-las, o melhor que sou capaz, para me entender com os meus concidadãos»

Só Deus saberá se a minha questão no título se irá revelar retórica ou não.



publicado por Marco Moreira às 11:20
Sábado, 26 de Março de 2011

 

De Portugal não há quaisquer notícias no site oficial do Fundo Monetário Internacional desde Outubro de 2010. Há 5 meses portanto. O equivalente à mesma altura em que o Nepal deixou de ter também notícias relacionadas com o mesmo.

 

Devido à situação em que o país se encontra poderíamos talvez esperar outra coisa. Não por mera especulação, mas simplesmente porque fazendo a comparação com os restantes que formam o chamado grupo dos PIIGS - que se encontram em posição mais delicada dentro da zona do euro, e que actuaram de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividaram excessivamente - a diferença de "tratamento" é no mínimo interessante de seguir.

 

A saber, a última vez que estes países tiveram notícias no site oficial do FMI foram:

 

  • Portugal - 09 de Outubro de 2010 (168 dias)
  • Irlanda - 17 de Marco de 2011 (9 dias)
  • Itália - 14 de Março de 2011 (12 dias)
  • Grécia - 16 de Março de 2011 (10 dias)
  • Espanha - 25 de Janeiro de 2011 (60 dias)

 

As projecções da Economist Intelligence Unit apontavam para déficits/PIB de 8,5% para Portugal, 19,4% para Irlanda, 5,3% para Itália, 9,4% para Grécia e 11,5% para Espanha.

 

Possa talvez Teixeira dos Santos elucidar-nos sobre as razões que nos levam a não termos notícias relacionados com o FMI há 168 dias. Talvez ele possa explicar como um país que entrou no radar de desconfiança dos investidores e possuir a elevada relação dívida/PIB tenha conseguido ser ignorado durante tanto tempo pela organização que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial.

 

Sabemos que o segredo é a alma do negócio, mas talvez fosse interessante alguém explicar isto.



publicado por Marco Moreira às 19:40
 
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